terça-feira, 8 de março de 2016

BEIJO ENCANTADO

LIVRO




Podem esses opostos se atraírem?

O melhor de Nova York
O que um tira bonitão deveria fazer ao ser praticamente assaltado por uma loira explosiva que fugia da igreja vestida de noiva? Ajudá-la, claro.
Principalmente, quando a noiva indecisa não era outra senão a monumental e estonteante Dixie Davis, o símbolo sexual de todos os americanos.
A noiva fugitiva
Graças a Patrick Flynn, Dixie Davis escapara de casar-se com um notório gângster.
Ianques austeros nunca fizeram seu tipo, porém, Dixie sentiu-se repentina e profundamente atraída pelo guarda-costas improvisado. Será que um homem como Patrick se deixaria envolver por uma mulher que havia abandonado o noivo no altar?

Capítulo Um

— Todos motoristas de táxi de Nova York acreditam que são pilotos de jato — Patrick Flynn resmungou, depois de desviar sua possante Harley-Davidson, fugindo do táxi que voava pela Quinta Avenida. — Hei, companheiro — gritou para o motorista. — Está tentando me matar?
Entretanto, era Flynn quem seria capaz de matar quem se atrevesse a encostar em sua preciosa motocicleta. Passara quatro anos reconstruindo essa maravilha na sala de visitas de seu apartamento, em West Side. Fora um trabalho longo, cheio de amor, e não planejava vê-lo danificado logo no primeiro passeio pelas ruas de Manhattan.
Queixando-se da falta de sensibilidade das pessoas, que não sabiam apreciar a qualidade da máquina, Flynn encostou no meio-fio, enquanto o tráfego corria pela avenida. Imaginou ter ouvido um ruído estranho no motor. Desceu da moto, tirou o capacete e inclinou-se para ouvir mais atentamente.
Ou melhor, fingia ouvir.
Qualquer transeunte que o observasse diria que ele era um rapaz comum, preocupado com o motor de sua moto.
Na realidade, Flynn era um policial de prontidão. Numa distância de dois quarteirões, notara dois homens dentro de um carro suspeito, outro homem passando por mendigo e uma mulher fingindo ver vitrines. Flynn parecia entretido com o motor.
Porém, o motor da Harley estava perfeito. Flynn não pôde evitar um sorriso de satisfação. Nunca vira uma moto tão bonita e nunca ouvira um som de motor mais sincronizado do que aquele. E fora ele quem construíra aquela máquina maravilhosa. Com uma pequena ajuda do irmão Sean, reconhecia.
De repente, um grito quebrou a magia daquele momento de contemplação.
— Que diabos... — Flynn olhou a tempo de ver uma mulher saindo em disparada de uma igreja próxima. Num movimento rápido, a mulher fechou as portas maciças atrás de si.
— Socorro! — ela gritava. — Ajudem-me!
Todos os policiais ficaram estáticos diante de uma situação totalmente inusitada.
— Socorro!
Ela usava um vestido de noiva exuberante. Completo. Com muito brilho, pérolas, véu, grinalda e uma cauda enorme. O véu estava preso a um... sim, a um chapéu de caubói. Flynn estreitou os olhos para certificar-se de que não estava fantasiando. Uma noiva country? A mulher carregava um ramalhete de flores do campo e calçava botas de caubói, brancas e de bico fino. Os habitantes de Nova York estavam habituados a ver de tudo pelas ruas, mas aquilo era absolutamente novidade para Flynn.
— Socorro! — ela repetiu para divertimento dos policiais, de duas pessoas que faziam cooper e para uma mendiga, que empurrava um carrinho de mão. — Por favor, ajudem-me!
Ela lembrava uma cantora country rumo ao Grand Olke Opry, onde se casaria com algum imitador anônimo de Elvis Presley. Até mesmo para Nova York, ela era uma aberração. Ninguém se movia para ajudá-la.
Com esforço, ela conseguiu puxar a cauda do vestido, que ficara presa sob as portas da igreja. O véu esvoaçante revelava os cabelos loiros e compridos sob o Stetson. Ofegando, encostou-se nas portas, a fim de mantê-las fechadas.
— Por favor, alguém me ajude!
Os joggers recomeçaram a correr. Os policiais fingiram não ouvir os gritos.
Com um suspiro de frustração, a noiva jogou as flores no chão. Pulando sobre um pé só, ela descalçou uma das botas, colocando-a entre os dois puxadores das portas no momento em que alguém tentava abri-las do interior da igreja.
— Hei, você! — A mendiga chamou-a. — Está louca?
— Não.

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